Considera que ler histórias às crianças influência os seus hábitos de leitura na idade adulta?

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Livros e autores sem os quais não passo...

Cada vez mais, educadores, pais e avós percebem a importância de ler às suas crianças e de lhes proporcionar momentos mágicos que as ajudem a ultrapassar medos, angústias ou simplesmente a viajar pelo mundo fantástico dos contos de fadas onde princípes protegem princesas e os dragões e as bruxas más acabam inevitavelmente mal...Mas nem todos os livros que encontramos à venda são necessariamente bons e neste caso, o preço alto muitas vezes também não é sinónimo de qualidade. Então como saber se os livros que compramos estão à altura dos sonhos das crianças? Existem de facto alguns factores que são determinantes na qualidade destas ferramentas e que podem passar pela adaptação do texto escrito à faixa etária a que se destina, pelo tamanho das imagens ou até pela textura do próprio livro. Talvez aprofunde este tema caso suscite algum interesse mas para já gostava de deixar algumas das minhas preferências e alguns dos livros e autores sem os quais não passo. Vou actualizando a lista...
  1. Poemas da Mentira e da Verdade; Autores: Ana Cristina Inácio, Luísa Ducla Soares
  2. Tudo ao Contrário!; Autor: SOARES, LUISA DUCLA
  3. A Carochinha e o João Ratão; Autor: SOARES, LUISA DUCLA
  4. Que sabe a Lua; Autor: GREJNIEC, MICHAEL
  5. O Nabo Gigante; Autor: TOLSTOI, ALEXIS E NIAMH SHARKE
  6. O coelhinho branco; Autor: Ballesteros, Xosé e Óscar Villán
  7. Pedro Tem Medo de Fantasmas (É uma colecção cujos livros se vendem separadamente); Autor: Sandrine Deredel Rogeon
  8. COLECÇÃO: O Rato Renato AUTOR(ES): Casalis, Anna; Campanella, Marco, il.; Costa, Sara, 1987
  9. Para trabalhar emoções: Quando me Sinto Triste; Quando me Sinto... Feliz; Quando me Sinto Zangado; Quando me Sinto Triste; Quando me sinto Assustado; Autor: V A.

Era uma vez...um livro, uma história de encantar e um mundo de potencialidades

Histórias e infância são palavras que quase se confundem por estarem tão intimamente relacionadas. A curiosidade natural das crianças prende-as desde tenra idade aos contos, às histórias de encantar e desperta-lhes a paixão pelos livros. Tal como no brincar, os ambientes educativos que proporcionam as condições necessárias para o aparecimento do prazer pelo livro e posteriormente pela leitura apelam efectivamente à aprendizagem sem limites e onde a imaginação se confunde por vezes com a realidade numa combinação que servirá de base à construção do significado pela criança. De acordo com alguns autores, “o jogo e o conto de encantar apresentam a mesma estrutura nuclear: os jogadores/ as personagens; as acções dos jogadores/ as acções das personagens; os objectos-brinquedos/ as palavras-imagens; o tempo, o espaço” (CEFEPE, 1999, p. 24). Isto acontece porque nas histórias, tal como nos momentos de brincadeira convivem os binómios fantásticos, isto é, a magia e a fantasia que abrem o caminho à transgressão, ao mesmo tempo que mantêm a ligação à ordem e à regra. Uma história, quando se encontram reunidas as condições essenciais, transporta a criança para um tempo e um espaço verdadeiramente mágico, intensificado. Com a prática da fantasia, do desvio linguístico, da liberdade, da turbulência e a par de regras, constroem-se contos que abrangem o jogo simbólico, o jogo de regras e os jogos da linguagem. Mas serão os livros e as histórias actores principais no processo de aprendizagem? De acordo com Hohmann e Weikart (2007) “retirar prazer da linguagem e ouvir e inventar histórias e rimas alarga a compreensão do uso e da eficácia da linguagem como meio de comunicação” (p.545). Assim, através de um momento lúdico, as crianças alargam o seu vocabulário e experimentam a relação entre escrita e a leitura. De facto, segundo alguns estudos, talvez não haja realmente nenhuma outra actividade tão importante para a emergência da literacia na criança como a leitura de um livro por um adulto atento e disponível. O livro torna-se assim numa ferramenta de que o educador não pode prescindir e uma “resposta viva à procura, ao sonho, à necessidade de experiência para conhecer. Com ele a criança chega e parte constantemente, podendo ir onde quiser, alimentando-se, descobrindo, enfim, crescendo” (SILVA, 1991; p. 36). Ao educador pede-se que promova as condições necessárias para a emergência da procura, da fantasia e da descoberta. Outro aspecto a considerar é a qualidade. A qualidade dos livros, das imagens que ilustram a história e a narrativa. Quando lê, o adulto não pode deixar de lado a comunicação não verbal dada a importância do “ afecto da voz que tem rosto que se alegra ou entristece não só com o que conta mas em empatia com aquele que escuta” (ARAUJO, 1992; p. 36). Por outro lado, as imagens têm também um grande peso. Segundo Silva (1991), a “ imagem enriquece o vocabulário através da necessidade de verbalização e, em simultâneo, desenvolve a linguagem, motiva para a leitura e a escrita e proporciona o confronto com juízos de valor que interiorizados, vai ajudar a sua formação como ser social” (p. 37). Para além disso, e particularmente em creche, promove e ajuda a construir uma organização temporal uma vez que a criança vai interiorizando a história sequencialmente no seu tempo e no seu espaço. Para terminar esta reflexão, gostaria de citar Bassedas, Huguet e Sole (1999) que nos lembram que “as linguagens servem para representar a realidade, para podermos criar, comunicarmo-nos e divertirmo-nos” (p. 76) e que melhor forma de podermos criar e representar a nossa realidade se não a partir da fantasia das histórias, dos pózinhos de perlim pim pim dos contos de fadas ou da magia dos livros? Através destes instrumentos criamos os traços da nossa personalidade, vivemos a dualidade do bem e do mal, onde o bem quase sempre triunfa e acabamos por nos perder no era uma vez... Os receios e as angustias que encontramos no crescimento dissolver-se-ão, não com o abandono da fantasia mas com a ajuda dela.


Bibliografia

•ARAÚJO, Matilde Rosa (1992) – O conto e a magia da Palavra in Cadernos de Educação de Infância. Lisboa. Nº 22, pp. 34-38.•BASSEDAS, Eulália; HUGUET, Teresa e SOLÉ, Isabel (1999) – Aprender e Ensinar na Educação Infantil. Porto Alegre; ArtMed. ISBN 85-7307-517-1

•CEFEPE, (1999) – Das histórias de encantar ao encanto de crescer... in Cadernos de Educação de Infância. Lisboa. N.º 50, pp. 22-25.

•HOHMANN, Mary; WEIKART, David P. (2007) – Educar a Criança. 4ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

•SILVA, Ângela (1991) – Livros para a Infância e suas leituras: muitas questões se podem levantar in Cadernos de Educação de Infância. Lisboa. N.º 20, pp. 36-38.

Breve abordagem à criação do blog

Olá a todos os cibernautas! Tal como já referi, sou uma educadora de infância que apesar de já ter contactado com o mundo dos blogs anteriormente, sentiu agora necessidade de chegar um bocadinho mais perto dos utilizadores com a partilha, discussão e reflexão de alguns temas bastante pertinentes relativamente à infância. O que pretendo acima de tudo, é que este blog chegue a todos os pais, profissionais da educação e até aos curiosos que sintam interesse por estas questões e que enriqueçam o debate com as suas intervenções, dúvidas, angústias ou experiências. Os temas lançados seráo escolhidos por mim no inicio mas o que se pretende é que todos os possam sugerir, criando um género de forúm.Os temas terão efectivamente uma parte mais teórica onde baseio a minha reflexão mas tentarei dar exemplos práticos e simples para que todos possamos falar e aprender mais acerca deles. Em alguns, vou deixar sugestões de livros, cd's ou links que enriquecerão esta partilha!

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